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13 dezembro 2016

Mineração submarina nos Açores em negociação

A mineração submarina volta a estar na ordem do dia em Portugal com a intenção da Ministra do Mar em impulsionar esta atividade. De facto, a empresa canadiana Nautilus entregou em 2008 um pedido de prospeção e pesquisa de minerais em seis pontos do Mar dos Açores, o qual caducou entretanto face à regulamentação que institui o Parque Marinho dos Açores. Contudo, esta empresa continua interessada neste projeto e decorrem negociações com o Governo português sobre este assunto.

Recorde-se que a Nautilus tem vindo a desenvolver um projeto na Papua Nova Guiné (Solwara 1) que consiste na exploração submarina de nódulos polimetálicos de sulfuretos de cobre, ferro e prata (a 1.600 metros de profundidade), com concentrações de cobre de cerca de 8%. Este projeto tem sofrido atrasos, mas pensa-se que irá arrancar em 2018,pese embora a forte contestação que o afeta. A Nautilus recebeu já a maquinaria que irá ser colocada no fundo do mar e irá receber em breve o navio de apoio às atividades de mineração.

05 fevereiro 2011

Construção em zonas de risco avança nos Açores

Cidadãos poderão assumir responsabilidade para edificar em áreas vulneráveis em termos geológicos.

Um novo regime jurídico está a ser preparado para o ordenamento do território nos Açores, que permitirá às pessoas decidirem e assumirem a responsabilidade no que se refere à ocupação do solo, mesmo em zonas que ofereçam algum perigo para a construção. O cidadão poderá avançar para a construção de uma casa numa área de risco, assumindo a responsabilidade.

O trabalho, que está a ser ultimado pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, surge associado à elaboração da Carta de Riscos, um documento em preparação por investigadores da Universidades dos Açores ligados ao Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos e ao Centro de Estudos Meteorológicos e Mudanças Globais.

Para a Secretaria do Ambiente, o projecto assenta num novo princípio, segundo o qual os riscos têm de ser considerados de forma abrangente e cientificamente fundamentada. Trata-se de uma nova estratégia de ordenamento do território na região que considera tudo o que são riscos, desde os meteorológicos aos geológicos, como factores essenciais na tomada de decisões para a ocupação do solo.

A medida permitirá ao Governo e câmaras municipais decidirem sobre a viabilidade de construção numa ou noutra zona, consoante a presença ou ausência de riscos. Mas, sobretudo, dará também a possibilidade do cidadão decidir se quer arriscar ou não a edificação num local em que, do ponto de vista científico, já se sabe que comporta risco elevado, médio ou reduzido. As coisas serão feitas de modo a que os próprios cidadãos façam parte do processo de decisão, assumindo as respectivas responsabilidades.

Para o professor universitário e geólogo, João Luís Gaspar, que esteve associado à génese deste projecto, "só no dia em que conseguirmos que os interessados tenham consciência dos riscos e das suas consequências, só no dia em que as administrações regional e local tenham os instrumentos necessários para tomarem decisões coerentes, é que poderemos falar na implementação de uma verdadeira cultura de prevenção do risco" nos Açores.
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Fonte: Diário de Notícias 


Como a maioria das medidas, nota-se um claro tom de «casa rouba, trancas à porta» e é claramente disso que se está à espera no Continente. Está-se à espera que as arribas algarvias desabem e levem com elas os empreendimentos megalómanos, está-se à espera que as linhas de dunas desapareçam, está-se à espera que o Tejo transborde e afogue Lisboa.

Só assim é que as pessoas percebem o poder da prevenção. Não será, com certeza, com «à, se eu soubesse» que as coisas se fazem. Há que ter, acima da ganância e da produtividade bruta, o simples e puro bom-senso de olhar. Ponderar a construção em determinadas zonas. E não deveriam ser os poderes políticos os culpabilizados. Deveria ser responsabilizado não só quem constrói, mas também quem compra.

Antes de se comprar uma casa deveria ser senso-comum uma pessoa avaliar os riscos que a que poderia estar sujeita. Mas não. É muito mais fácil dizer que «a água é que invadiu a Baixa da cidade». Mas a água já lá passava antes da estrada, e não é por uma camada de alcatrão que esta vai deixar de fazer o seu caminho.

Enquanto a batata-quente andar a passar de mão em mão e o poder político não perceber que a consciência pública tem de ser culpabilizada pelas suas opções, e enquanto continuarem a cair subsídios extraordinários (de cada vez que chove, de cada vez que faz sol, de cada vez que há vento, de cada vez que há ondas no mar) das mãos gordas da Mãe Europa ninguém, mas ninguém, irá ter a decência de admitir a culpa.

22 dezembro 2010

Açores dão sinal de vida - actividade sísmica ao largo da ilha das Flores (Azores seismic activity)

 Nos últimos dias tem se vindo a verificar a ocorrência de sucessivos sismos na Crista Média Oceânica, gigantesca cadeia montanhosa submarina sob a qual estão as ilhas dos Açores. Admite-se uma possível origem vulcânica para os mais de 100 abalos que se têm registado.


Os sismos de comportamento irregular, têm tido magnitudes entre os 3 e 4 graus na escala de Richter, e,  por isso não têm sido notados pelas populações mais próximas (na ordem dos 120/150km  de distância).

Dada a posição e origem da próprias ilhas dos Açores, admite-se que os recentes abalos estejam directamente relacionados com actividade vulcânica localizada entre os 800 e 2000m de profundidade.

Tendo em conta a profundidade a que se está a desenrolar a actividade sísmica mais significativa, seria necessária uma elevadíssima quantidade de material vulcânico para que se formasse um novo ilhéu. Apesar de tudo, no passado há registos de ilhéus que surgiram desta forma nos Açores. Em 1811 surgiu um ao largo da ilha de S. Miguel, onde o mar é menos profundo do que na zona em que se registaram os sismos mais recentes. No entanto, esse novo ilhéu, que chegou a receber o nome de ilha Sabrina, não resistiu intacto até ao fim desse mesmo ano devido à erosão marinha.

As populações insulares não correm quaisquer riscos, sendo que os únicos cuidados a ter vão para os navios que naveguem na zona da possível erupção.


Quando ocorrem próximo da superfície, os vulcões submarinos podem projectar cinzas para a atmosfera, no entanto, e este é o caso, quando ocorrem a maiores profundidades na ordem dos mil metros, o material expelido é lava, que pelo contacto brusco do material escaldante com as águas a muito menor temperatura, vai assumindo uma forma característica: as «lavas em almofada» ou pillow-lavas.


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In the last few days it has been observed the occurrence of successive earthquakes in the Mid-Atlantic Ridge Ocean, a vast underwater mountain range beneath which are the islands of the Azores. It is assumed a possible volcanic origin for the more than 100 quakes that have occurred.
  
The earthquakes have an erratic behavior, with magnitudes ranging between 3 and 4 degrees on the Richter scale.

Given the depth where more significant seismic activity  is taking place, it would be necessary a enormous amount of volcanic material in order to form a new island. After all, in the past there are records of small islands which born this way in the Azores. In 1811, off the coast of the island of St. Miguel, where the sea is shallower than the zone in which earthquakes have been recorded more recently, a new island emerged. However, this new island, which came to be named after Sabrina Island, did not survive intact until the end of that same year due to sea erosion. 

The islanders are not at risk, and the only care to have  is with ships sailing in the area of the possible eruption.

When eruptions occur near the surface, the submarine volcanoes can project ash into the atmosphere, however, and this is the case, when they occur at greater depths in the order of one thousand meters, the expelled material is lava, which at the sudden contact with water at much lower temperature, takes on a characteristic shape: the pillow lavas.