A mineração submarina volta a estar na ordem do dia em Portugal com a intenção da Ministra do Mar em impulsionar esta atividade. De facto, a empresa canadiana Nautilus entregou em 2008 um pedido de prospeção e pesquisa de minerais em seis pontos do Mar dos Açores, o qual caducou entretanto face à regulamentação que institui o Parque Marinho dos Açores. Contudo, esta empresa continua interessada neste projeto e decorrem negociações com o Governo português sobre este assunto.
Recorde-se que a Nautilus tem vindo a desenvolver um projeto na Papua Nova Guiné (Solwara 1) que consiste na exploração submarina de nódulos polimetálicos de sulfuretos de cobre, ferro e prata (a 1.600 metros de profundidade), com concentrações de cobre de cerca de 8%. Este projeto tem sofrido atrasos, mas pensa-se que irá arrancar em 2018,pese embora a forte contestação que o afeta. A Nautilus recebeu já a maquinaria que irá ser colocada no fundo do mar e irá receber em breve o navio de apoio às atividades de mineração.
Cidadãos poderão assumir responsabilidade para edificar em áreas vulneráveis em termos geológicos.
Um novo regime jurídico está a ser preparado para o ordenamento do território nos Açores, que permitirá às pessoas decidirem e assumirem a responsabilidade no que se refere à ocupação do solo, mesmo em zonas que ofereçam algum perigo para a construção. O cidadão poderá avançar para a construção de uma casa numa área de risco, assumindo a responsabilidade.
O trabalho, que está a ser ultimado pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, surge associado à elaboração da Carta de Riscos, um documento em preparação por investigadores da Universidades dos Açores ligados ao Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos e ao Centro de Estudos Meteorológicos e Mudanças Globais.
Para a Secretaria do Ambiente, o projecto assenta num novo princípio, segundo o qual os riscos têm de ser considerados de forma abrangente e cientificamente fundamentada. Trata-se de uma nova estratégia de ordenamento do território na região que considera tudo o que são riscos, desde os meteorológicos aos geológicos, como factores essenciais na tomada de decisões para a ocupação do solo.
A medida permitirá ao Governo e câmaras municipais decidirem sobre a viabilidade de construção numa ou noutra zona, consoante a presença ou ausência de riscos. Mas, sobretudo, dará também a possibilidade do cidadão decidir se quer arriscar ou não a edificação num local em que, do ponto de vista científico, já se sabe que comporta risco elevado, médio ou reduzido. As coisas serão feitas de modo a que os próprios cidadãos façam parte do processo de decisão, assumindo as respectivas responsabilidades.
Para o professor universitário e geólogo, João Luís Gaspar, que esteve associado à génese deste projecto, "só no dia em que conseguirmos que os interessados tenham consciência dos riscos e das suas consequências, só no dia em que as administrações regional e local tenham os instrumentos necessários para tomarem decisões coerentes, é que poderemos falar na implementação de uma verdadeira cultura de prevenção do risco" nos Açores.
________________________ Fonte: Diário de Notícias
Como a maioria das medidas, nota-se um claro tom de «casa rouba, trancas à porta» e é claramente disso que se está à espera no Continente. Está-se à espera que as arribas algarvias desabem e levem com elas os empreendimentos megalómanos, está-se à espera que as linhas de dunas desapareçam, está-se à espera que o Tejo transborde e afogue Lisboa.
Só assim é que as pessoas percebem o poder da prevenção. Não será, com certeza, com «à, se eu soubesse» que as coisas se fazem. Há que ter, acima da ganância e da produtividade bruta, o simples e puro bom-senso de olhar. Ponderar a construção em determinadas zonas. E não deveriam ser os poderes políticos os culpabilizados. Deveria ser responsabilizado não só quem constrói, mas também quem compra.
Antes de se comprar uma casa deveria ser senso-comum uma pessoa avaliar os riscos que a que poderia estar sujeita. Mas não. É muito mais fácil dizer que «a água é que invadiu a Baixa da cidade». Mas a água já lá passava antes da estrada, e não é por uma camada de alcatrão que esta vai deixar de fazer o seu caminho.
Enquanto a batata-quente andar a passar de mão em mão e o poder político não perceber que a consciência pública tem de ser culpabilizada pelas suas opções, e enquanto continuarem a cair subsídios extraordinários (de cada vez que chove, de cada vez que faz sol, de cada vez que há vento, de cada vez que há ondas no mar) das mãos gordas da Mãe Europa ninguém, mas ninguém, irá ter a decência de admitir a culpa.
Nos últimos dias tem se vindo a verificar a ocorrência de sucessivos sismos na Crista Média Oceânica, gigantesca cadeia montanhosa submarina sob a qual estão as ilhas dos Açores. Admite-se uma possível origem vulcânica para os mais de 100 abalos que se têm registado.
Os sismos de comportamento irregular, têm tido magnitudes entre os 3 e 4 graus na escala de Richter, e, por isso não têm sido notados pelas populações mais próximas (na ordem dos 120/150km de distância).
Dada a posição e origem da próprias ilhas dos Açores, admite-se que os recentes abalos estejam directamente relacionados com actividade vulcânica localizada entre os 800 e 2000m de profundidade.
Tendo em conta a profundidade a que se está a desenrolar a actividade sísmica mais significativa, seria necessária uma elevadíssima quantidade de material vulcânico para que se formasse um novo ilhéu. Apesar de tudo, no passado há registos de ilhéus que surgiram desta forma nos Açores. Em 1811 surgiu um ao largo da ilha de S. Miguel, onde o mar é menos profundo do que na zona em que se registaram os sismos mais recentes. No entanto, esse novo ilhéu, que chegou a receber o nome de ilha Sabrina, não resistiu intacto até ao fim desse mesmo ano devido à erosão marinha.
As populações insulares não correm quaisquer riscos, sendo que os únicos cuidados a ter vão para os navios que naveguem na zona da possível erupção.
Quando ocorrem próximo da superfície, os vulcões submarinos podem projectar cinzas para a atmosfera, no entanto, e este é o caso, quando ocorrem a maiores profundidades na ordem dos mil metros, o material expelido é lava, que pelo contacto brusco do material escaldante com as águas a muito menor temperatura, vai assumindo uma forma característica: as «lavas em almofada» ou pillow-lavas.
______________________________________________ In the last few daysithasbeen observedtheoccurrenceof successiveearthquakesin theMid-Atlantic RidgeOcean, a vastunderwater mountain rangebeneath whichare theislandsof the Azores.It is assumedapossiblevolcanic originforthemore than100quakesthathave occurred. The earthquakeshave an erratic behavior,withmagnitudesranging between3 and 4 degreeson theRichter scale.
Given thedepthwheremoresignificantseismic activity is taking place, it would be necessaryaenormous amountofvolcanic materialin order to form anewisland.After all,inthe past there are recordsofsmall islandswhichbornthis wayin theAzores.In1811, off the coast of the islandofSt.Miguel,where thesea isshallowerthanthe zonein whichearthquakeshave been recordedmorerecently, a new island emerged.However,thisnewisland, which cametobe named afterSabrinaIsland,did not surviveintactuntilthe endofthat same yearduetosea erosion.
Theislandersare not at risk, andthe onlycareto haveis with shipssailinginthe areaofthe possibleeruption.
When eruptions occurnear thesurface,thesubmarine volcanoescanprojectash into the atmosphere,however, andthisisthe case,when they occurat greaterdepthsin the orderofone thousand meters,the expelled materialislava,which atthesuddencontactwithwaterat much lowertemperature,takes onacharacteristic shape: thepillowlavas.