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02 outubro 2012

Shale Gas - Portugal possui importantes reservas desta energia tanto a nível europeu como global

Os avanços tecnológicos permitiram ultrapassar uma série de barreiras que impediam a extração de um tipo de gás, não convencional, cuja formação ocorre em argilas betuminosas. Este é o shale gás e encontra-se a grandes profundidades, entre os 600 e os 3000m.

As formações deste gás prolongam-se por vários quilómetros de extensão e a única forma de acompanhar essas formações no subsolo é através da perfuração horizontal, uma técnica que é complementada pela fracturação hidráulica que consiste na "estimulação do reservatório através da injecção de água a grande pressão, químicos e areia para criar porosidade e permeabilidade artificialmente", segundo Diogo Rosa do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.

Presente no Bombarral, Cadaval e Alenquer

Os Estados Unidos da América são o maior produtor mundial de shale gás. As estimativas indicam que as reservas deste gás na América do Norte têm capacidade para abastecer os EUA nos próximos 45 anos. Os olhos viram-se agora para Europa e Portugal faz parte da lista de países com formações que possuem shale gás. De acordo com os estudos realizados no território nacional, "a formação da Brenha será a formação com mais interesse para o shale gás, portanto, esta formação está presente nos conselhos de Bombarral, Cadaval, Alenquer, logo, aí será o local onde poderá haver mais potencial", acrescenta Diogo Rosa.

Vantagens da exploração de shale gás

Em termos de consumo, o shale gás, é um recurso mais barato e menos poluente, ainda assim, para os especialistas a exploração deste gás levanta questões quanto às consequências para o meio ambiente, nomeadamente para contaminação das reservas de água potável existentes nos aquíferos, devido à técnica de fracturação hidráulica, se esta não for manuseada com precaução.

Na Europa este mercado está a crescer e para além de Portugal há registo de potenciais reservas na Eslováquia, Ucrânia e França. A Polónia e a Alemanha já iniciaram alguns projetos de exploração.

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Adaptado de:

26 março 2012

Galp descobre gás natural em Moçambique



Galp Energia anunciou hoje uma nova descoberta de gás natural de grande dimensão no poço Mamba North East-1, em Moçambique.

"Os resultados deste poço, perfurado na parte leste da Área 4, são de especial importância, uma vez que aumentam os recursos dos reservatórios naquela área em pelo menos 10 biliões de pés cúbicos (tcf), dos quais 8 tcf estão localizados exclusivamente em reservatórios na Área 4", destaca a empresa que é parceira do consórcio para a exploração daquela área na bacia do Rio Rovuma, no offshore de Moçambique.

Segundo acrescenta em comunicado, "esta nova descoberta aumenta o potencial estimado de gás no complexo Mamba na Área 4 para, no mínimo, 40 tcf de gás no jazigo", e faz subir os recursos in place atribuíveis à Galp Energia em Moçambique para mais de 110 biliões de metros cúbicos (bcm). Em Portugal, o consumo de gás natural totalizou 5 bcm em 2011.


"Moçambique vai definitivamente tornar-se um produtor de gás natural incontornável a nível mundial", sustenta a Galp Energia, adiantando que "o plano de perfurações prevê a realização de quatro novos poços ainda este ano".


De acordo com a empresa portuguesa, que detém uma participação de 10% no consórcio que explora a Área 4, cabendo 70% à ENI (operadora), 10% à KOGAS e 10% à ENH, o poço descoberto contém um total de 240 metros de reservatório de gás natural em areias oligocénicas e eocénicas de elevada qualidade e provou a continuidade e a comunicação de pressão com os poços Mamba South-1 e Mamba North-1.


Localizado a 50 quilómetros da costa de Cabo Delgado, com uma altura de água de 1848 metros, o poço Mamba North East-1 atingiu já uma profundidade total de 4560 metros e encontra-se cerca de 15 quilómetros a nordeste da descoberta Mamba South-1 e a 12 quilómetros a sudoeste da descoberta Mamba North-1.
Durante 2012, o consórcio que integra a Galp Energia pretende perfurar quatro poços adicionais em estruturas próximas, "de modo a inferir o potencial adicional de recursos no complexo Mamba".

Adaptado de:

14 abril 2011

Vamos ao manto terrestre!

Depois do abandono do projecto Mohole, realizado no início dos anos 60 e que tinha como objectivo chegar ao manto terrestre, os cientistas falam agora da hipótese de o retomarem.

Na revista «Nature», a propósito do 50º aniversário do Mohone, os investigadores Damon Teagle, da Universidade de Southampton (Reino Unido) e Benoît Ildefonse, da Universidade de Montpellier (França), afirmaram que as tecnologias de hoje já permitem realizar perfurações para serem obtidas amostras do manto da Terra. Os trabalhos poderiam desenrolar-se no espaço de uma década.

O manto é a camada que se encontra entre a crosta e o núcleo e que constitui a maior parte do planeta (vai de 30 a 60 quilómetros abaixo dos continentes, mas apenas seis abaixo dos oceanos, até ao núcleo, que se encontra a 2890 quilómetros). A sua análise seria muito importante para se conhecer melhor as origens e a evolução do planeta.

A ideia da investigação partiu de um grupo de geocientistas, em 1957. Patrocinado por uma comissão especial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, o projecto Mohole tinha como objectivo perfurar a crosta debaixo do mar até se chegar ao manto. Foram realizados, em 1961, cinco buracos na costa da Ilha de Guadalupe (México), mas só foi possível alcançar 183 metros de profundidade, o terço do desejado. Ainda assim, as amostras revelaram-se valiosas, fornecendo informações sobre o Mioceno.

Depois do perfurador, que utilizava diamantes para conseguir furar a rocha, se ter partido, o projecto foi abandonado pelos financiadores. Agora, os cientistas querem recuperá-lo e anunciaram já que durante os próximos cinco anos vão realizar medições em três localizações do Oceano Pacífico que poderão servir para futuras perfurações, as costas do Havai, da Baixa Califórnia (México) e da Costa Rica.

Este projecto vai utilizar, possivelmente, uma tecnologia japonesa chamada Chikyu. Os investigadores afirmam que será preciso muito dinheiro para levar a cabo as experiências, mas “não tanto como enviar um foguetão à Lua”.

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Fonte: cienciahoje.pt