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05 abril 2013

Petróleo e Gás: A Nova Oportunidade

   O primeiro grande choque petrolífero ocorre em 1973, quando a Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP) eleva o preço do barril de 3 para 12 US$, baixando a produção e decretando o embargo à Europa (devido ao apoio a Israel na guerra de Yom Kipur). 


   O 25 de Abril de 1974 decorre neste contexto. Com a independência de Angola (país produtor de petróleo) e a nacionalização das empresas petrolíferas nacionais, o Governo português abandona toda a área da exploração e produção, ficando apenas ligado à refinação e distribuição. Desaparece aqui a oportunidade de criar uma boa empresa nacional de exploração e produção e a oportunidade de construir uma boa escola da área de petróleos. "Faltou-nos aqui visão, cultura e governança".

   Até ao virar do século, existia mais atracção em se investir no Norte de África do que em Portugal. Como tal, pode-se dizer que não se conhece as reversas de petróleo e gás do país, principalmente nas águas profundas do "offshore", no entanto, actualmente existe um grande esforço de prospecção  devido às mudanças na legislação.
   A decisão de fazer um primeiro poço exploratório será tomada ainda em 2013, após a fase de prospecção sísmica 3D na zona de Peniche e Alentejo. No Algarve, os estudos indicam um potencial de gás elevado, sendo o primeiro furo iniciado pelo menos em 2014, pela Repsol aliada à Partex Oil anda Gas. No "onshore", a Mohave Oil & Gas e a Galp Energia passaram à fase de desenvolvimento da concessão de Aljubarrota.

   Quanto aos recursos não convencionais, denominados shale-oil e shale-gas, que revolucionaram o mercado do gás, Portugal apenas tem de iniciar o caminho dos recursos convencionais, atraindo empresas para a prospecção.


   As empresas nacionais da área também sofreram uma grande transformação. A Galp (que se tornou numa empresa de produção e exploração no virar do século) e a Partex Oil and Gas possuem parceiras no Brasil, Moçambique, Angola, Timor, Médio Oriente, Cazaquistão, etc., com exploração de reservas bastante significativas.
   Para além do aspecto financeiro, uma componente estratégica muito relevante é o "know-how" nacional e a consequente criação de uma cultura empresarial, numa área que irá desempenhar  um papel crucial na politica energética mundial, durante muitos anos. Como tal, as decisões técnicas e de gestão são fundamentais em grandes projectos, com os maiores desafios tecnológicos da actualidade: a exploração em águas ultra profundas e a exploração do pré-sal.  Estes desafios passam pelas seguintes áreas de engenharia:

"Up-stream"
  • Avaliação de risco nas fases de prospecção e avaliação;
  • Caracterização de reservatórios;
  • Integração sísmica;
  • Modelização geomecânica;
  • Campos digitais inteligentes.
Desenvolvimento e Produção
  • Técnicas de furação;
  • Técnicas de recuperação (Enhanced Oil Recovery);
  • Simulação de reservatórios;
  • Riscos tecnológicos;
  • Riscos ambientais;
  • Logística e gestão de risco.



   "As oportunidades estão criadas para a criação de uma escola e uma cultura empresarial na área dos petróleos. Temos a obrigação, para com as gerações futuras, de não as desperdiçar."


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Adaptado de:
SOARES, Almicar (2012). "Petróleo e Gás - A Nova Oportunidade na Exploração e Produção". Ingenium, 131, pág. 38-39.

03 outubro 2012

A Vergonhosa História do Petróleo - RTP2

"O Segredo das Sete Irmãs - A Vergonhosa História do Petróleo" revela a incrível história do pacto secreto que deu origem ao controle oligopólico no mundo do fornecimento de petróleo bruto.


05 fevereiro 2012

Geologia e Política de Mãos Dadas

 O choque geopolítico do shale gas polaco:

A perspectiva de independência energética da Polónia em virtude da exploração das enormes reservas de shale gas – existe um potencial de abastecimento de 300 anos do mercado polaco – está a gerar um novo foco de tensão geopolítica entre a UE e a Rússia.

É que se a exploração e produção de shale gas avançar a fundo na Europa Central, isso significa o fim da dependência energética extrema da UE do gás natural russo. A primeira reacção dos europeus centrais, como a Alemanha,  face a esta notícia, deveria ser de satisfação. Mas não é.

Pelo contrário, há enormes movimentações nos bastidores de Bruxelas, com o apoio da Alemanha e da França, para banir a exploração do gás de xisto na UE, agitando a bandeira dos impactos ambientais negativos, devido ao risco de contaminação dos lençóis freáticos.

Gazprom e Ambientalistas: a estranha aliança

Mas as verdadeiras razões são outras. Ironia das ironias, o grande aliado dos ambientalistas nesta "causa" é a Gazprom.  A empresa russa está superactiva em Bruxelas para promover legislação para banir a exploração de shale gas na UE. Isto porque se o projecto avançar, a UE deixa de estar dependente energeticamente da Rússia, e em consequência, a Alemanha perde a moeda de troca para um acesso facilitado ao mercado russo (a Alemanha é o maior consumidor da UE de gás natural russo). E a Rússia, por sua vez, perde o acesso facilitado à tecnologia alemã.

Além disso, isto também significaria um aumento significativo do poder polaco na UE, afirmando-se como um concorrente a prazo face à influência alemã a Leste. Ainda por cima com o apoio forte dos EUA, já que a exploração do shale gas é realizado somente com tecnologia americana.

Com efeito, esta tecnologia disruptiva nascida nos EUA fez com que o preço do gás descesse a pique, retirando força às ambições de potência energética russa ancorada no gás natural.

Este é apenas mais um sinal comprovativo de que a política energética europeia está, atualmente, desenhada apenas para servir os interesses germânicos no sector, desde a promoção de determinadas tecnologias renováveis (solar e eólica) e da aposta no gás natural como energia primária-base.

Mas nem todos os países da UE vão na cantiga: a Suécia, por exemplo, quer fazer da biomassa e não o gás natural a principal fonte de energia primária. Por isso, é altura de Portugal também de ter uma política energética que contribua para a recuperação da sua soberania económica, à semelhança do que está a fazer a Polónia.

A imagem abaixo mostra as principais reservas de shale gas na Europa, entre as quais uma reserva na Bacia Lusitaniana, em Portugal.


Reportagem sobre o shale gas em Portugal no programa "Falar Global" da Sic Notícias:


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Fontes: 

http://raizpolitica.wordpress.com/2011/10/11/o-choque-geopolitico-do-%C2%ABshale-gas%C2%BB-polaco/
http://www.europeanenergyreview.eu/data/docs/Viewpoints/ppt0000002.pdf