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14 novembro 2011

Lítio em Portugal - PARTE III - Mineralogia e Geoquímica do Lítio

O lítio é o mais leve de todos os metais, tendo metade da densidade de água. Por ser muito reactivo, não se encontra na natureza no estado livre e, apesar de ocorrer em cerca de 145 minerais, apenas quatro são objecto de exploração comercial.

Em termos geoquímicos, o lítio tende a concentrar-se nos últimos produtos resultantes da cristalização do magma. Este elemento difere dos restantes metais alcalinos devido à sua incapacidade de entrar nas estruturas dos feldspatos. O feldspato potássico e as plagioclases que se formam durante o estágio principal da cristalização são pobres em lítio, e, muito embora este metal forme minerais independentes nos pegmatitos, nunca foi encontrado como feldspato.

O lítio não forma estruturas feldspáticas por razões termoquímicas, cristalizando no seu lugar, a espodumena ou a petalite. Há um grande enriquecimento em lítio nas micas, anfíbolas e piroxenas durante o decorrer da cristalização do magma. O Li+ substitui o Mg2+ nos minerais, funcionando o segundo como seu «protector» devido à sua maior abundância.

Durante a substituição do Mg2+ pelo Li+, a estrutura sofre uma perda de energia, isto é, quando o ião Li+, de menor carga que o Mg2+, penetra na estrutura, esta fica debilitada. Daqui se conclui que esta substituição não pode ocorrer até ser atingida uma temperatura relativamente baixa, isto é, até às últimas fases de cristalização.

Como já foi referido, apesar de existir mais de uma centena de minerais com lítio na sua composição, a sua extracção é apenas viável em cerca de quatro:

ESPODUMENA
Piroxena (aluminossilicato de lítio, LiAlSi2O3). Da sua alteração resulta caulinite, montmorilonite e clorite. Constitui a principal fonte de lítio, variando os teores entre 1,3%-3,6%.

LEPIDOLITE
Mica lítica que apresenta uma solução sólida completa com a moscovite. Filossilicato de cor violácea ou rósea (K2(Li6-7Al2-1O20)(OH,F)4). O conteúdo em lítio varia desde os 1,53% ao máximo teórico de 3,6%, apesar de nos depósitos comerciais variar entre 1,4-1,9%. Ocorre geralmente em agregados compactos de lâminas finas, segundo corpos granulares ou ainda segundo cristais prismáticos.

PETALITE
Tectossilicato (LiAlSi4O10). O conteúdo teórico de lítio é 4,9%, mas em depósitos comerciais varia entre 3,6-4,7%.

AMBLIGONITE
Fosfato rico em flúor e lítio (LiAl(PO4)(F,OH)). O conteúdo em Li2O é de 10,1%. Ocorre segundo agregados grosseiros ou segundo massas arredondadas.

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Adaptado de:  
Ricardo Manuel (2011), Pegmatitos em Portugal - a importância das fontes de lítio, Rochas Industriais e Ornamentais, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologias, Universidade Nova de Lisboa.

06 novembro 2011

Lítio em Portugal - PARTE II - Depósitos pegmatíticos

DEPÓSITOS PEGMATÍTICOS EM PORTUGAL

As principais ocorrências pegmatíticas com interesse económico em Portugal distribuem-se pelos terrenos graníticos da região das Beiras, constituindo o eixo central da Zona Centro-Ibérica. Actualmente, destacam-se pela sua extensão/potencial mineiro os campos pegmatíticos de Sátão (Viseu), Mangualde e de Seixo Amarelo – Gonçalo (Guarda), encontrando-se especialmente associados a granitos porfiróides biotíticos e/ou granitos grosseiros de duas micas gerados durante o final da orogenia Hercínica ou Varisca (311Ma).






APLITOS-PEGMATITOS DE SEIXO AMARELO – GONÇALO (GUARDA)

Os aplitos-pegmatitos de Seixo Amarelo – Gonçalo, que afloram numa extensão de cerca de 100km2, estão integrados num domínio que se desenvolve pelas regiões de Gouveia - Fornos de Algodres – Celorico da Beira – Guarda – Belmonte – Bendada – Sabugal. Este campo pegmatítico é essencialmente constituído por soleiras aplito-pegmatíticas constituídas por quartzo, feldspato potássico, albite, moscovite e micas litiníferas. Verifica-se uma tendência para estas soleiras aflorarem em zonas de bordadura de granitos tardi-orogénicos intrusivos em batólitos sin-orogénicos e metassedimentos pertencentes ao Complexo Xisto-Grauváquico, intruindo preferencialmente o granito porfiróide sin-orogénico (Granito da Guarda).

As estruturas mineralizadas deste domínio apresentam textura mista, isto é, alternância entre as fases aplítica e pegmatítica. A segunda caracteriza-se pelos grãos grosseiros «geralmente compostos por cristais sub-idiomórficos de feldspato potássico e agregados de quartzo, aos quais se associam com frequência albite, moscovite e lepidolite», enquanto a primeira, que envolve e intrui por vezes a segunda, apresenta textura sacaróide e é constituída essencialmente por albite, quartzo, moscovite e lepidolite.

Tendo em conta a composição mineralógica e química, é possível agrupar as soleiras em três tipos fundamentais:
-soleiras estaníferas – geologicamente menos evoluídas, caracterizadas por concentrações baixas em Li, Rb e elementos afins, e teores significativos em Sn, Nb, Ta; essencialmente quartzo, feldspato potássico, albite e moscovite;
-soleiras litiníferas – geologicamente mais evoluídas, caracterizadas por teores elevados de elementos incompatíveis como o Li e Rb, frequentemente associados a altas concentrações de Sn, Nb e Ta; essencialmente quartzo, albite, feldspato potássico, lepidolite e moscovite mais ou menos litinífera; afloram em regiões topograficamente mais elevadas do que as soleiras estaníferas;
-soleiras estano-litiníferas – estruturas que estabelecem a passagem entre os tipos anteriores.

De uma maneira geral, as soleiras estaníferas representam magma menos evoluído, intruindo regiões menos elevadas, enquanto as soleiras litinífera, que representam uma magma mais evoluído, intruiram regiões mais elevadas. Estas últimas intrusões foram afectadas por efeitos posteriores à sua instalação, ficando zonadas, isto é, com um bandado que marca a evolução química e textural dos minerais constituintes.




Nos diferentes tipos de soleiras os teores de lítio variam entre cerca de 1500ppm, nas de tipo estanífero, e cerca de 5700ppm, nas de tipo litinífero.

A intrusão das soleiras aplito-pegmatíticas induziu o desenvolvimento de bandas de metassomatismo ao longo do seu contacto com os granitos. Estas bandas, que apresentam uma espessura média variável entre os 5 e 20cm, indicam uma série de modificações na rocha:
-endurecimento da rocha granítica encaixante devido à deposição intensa e tardia de quartzo; frequente recristalização de albite e feldspato potássico;
-desferrização da biotite primária e incorporação do lítio, o que origina biotite litinífera (zinnwaldite);
-cristalização de turmalina, berilo e ouro.

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Adaptado de:  
Ricardo Manuel (2011), Pegmatitos em Portugal - a importância das fontes de lítio, Rochas Industriais e Ornamentais, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologias, Universidade Nova de Lisboa.